Sem demorar muito, percebe-se que o livro não terá um grande "plot". Essa não é a intenção. Apesar de o nome instigar o leitor a, quem sabe, descobrir quem o matou, esse não é o foco.
O livro te coloca no lugar de alguém que está morrendo e, aos poucos, vai chegando cada vez mais perto da face da morte, através de uma doença.
Lembro da Jout Jout, quando, provocada sobre o que era a vida, respondeu algo do tipo: "A vida é o período em que nos distraímos da certeza da morte."
Grande verdade. Mas, no caso de Ivan, a cada momento fica mais difícil distrair-se dessa certeza; a doença não lhe permite isso.
De fato, ele tenta ao máximo apegar-se à vida, e sua angústia vai aumentando à medida que descobre que, por mais que se apegue, não vai funcionar. Seu destino está traçado. Isso é comum a todos nós.
Como cristão, que tem plena convicção de para onde (quem) vai quando morrer, o livro tem um peso mais brando. Mas entendo o incrédulo Ivan, que tem medo. Medo de perder a vida e, principalmente, pavor do desconhecido que está após o fim dela.
"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida."
(Hebreus 2:14-15)
-
O livro está em domínio público, abaixo segue uma versão em PDF

Comentários:
Postar um comentário