Hoje, ao sair do trabalho, tinha que passar no mercado. O motivo era uma receita de frango frito que vi em um vídeo na internet. Precisava de alguns ingredientes.
O caminho do trabalho até o mercado é curto. Vou andando sem muita pressa, mas atento. O Centro de Porto Alegre não é o lugar mais amigável que eu conheço.
Chegando ao mercado, vou recolhendo na cestinha: frango, alguns temperos, uma maionese e, para acompanhar, uma batata frita congelada.
Me dirijo à fila do caixa e, de longe, chama a atenção uma mulher senegalesa e um homem, também senegalês, que se encontraram e, na língua deles, começaram a conversar.
Pareciam estar se conhecendo naquele momento, mas tinham em comum a nacionalidade, a língua e os costumes. Pareciam eufóricos e animados por terem se encontrado, pois estavam na mesma situação: a de estrangeiros.
Estrangeiros em um lugar onde, muitas vezes, são marginalizados e não muito bem tratados.
Quase de súbito, lembrei-me da sensação da primeira vez que estive com irmãos em Cristo depois de muito tempo sem ter comunhão.
Uma injeção de ânimo toma conta de nós. Você lembra que há outros da mesma pátria: a celestial.
Que passam por provações, tentações e perseguições, e se sentem estranhos em um mundo que não os entende, nem pode entender.
O casal senegalês que se encontrou no mercado eu não conheço. Não sei o que ou quem esperam, se é permanecer longe ou, por um milagre, voltar à sua pátria restaurada e sem a miséria que seus parentes vivem.
Mas o cristão tem uma pátria e, juntos, esperamos o nosso Senhor Jesus Cristo vir nos buscar e nos levar à nossa pátria, que, por direito, chamamos de casa.
"Não são do mundo, como eu do mundo não sou."(João 17:16)
"E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."(João 14:3)

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