Eu não tinha o costume de usar relógio. Depois de comprar um Casio desses digitais, sinto até estranheza quando não estou com ele.
Um dia, vi que o João estava com o relógio na mão e, como um relojoeiro de 2 anos e 4 meses de idade, apertava os botões de forma frenética. Logo que percebi, tirei-o dele.
Analisei o relógio e, aparentemente, estava tudo normal. O tempo passou e descobri que agora ele faz um pequeno bip duplo a cada hora. Gostei do trabalho do relojoeiro mirim e mantive o duplo bip como se estivesse ali de forma proposital. De fato, agora está.
Uma surpresa maior o relojoeiro tinha deixado para que eu descobrisse no outro dia:
8:00 — duplo bip descoladíssimo.
8:01 — um alarme, bips sequenciais.
Logo pensei: "Vou tirar!" Mas deixei para depois. E, a cada dia que tocava, eu pensava em desativá-lo. Agora, não consigo mais.
Sempre que o alarme toca, eu me lembro do meu relojoeiro particular, com seu jeito brincalhão, que me lembra que, de tantos erros que cometi, ter filhos não está na lista.

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