Quando eu era criança, adorava assistir "Eu, a Patroa e as Crianças". Na verdade, até hoje me divirto com a série, quase sei todas as falas.
Existe um episódio em que a filha mais nova, Cady, está com uma amiguinha em casa. Cady oferece para a amiga uma balinha de alcaçuz: "Você quer alcazuz?" E a amiga logo a corrige: "Se fala alcaçuz", mas Cady não dá muita bola.
O episódio segue, e cada integrante da família que chega perto do pote do doce diz: "Olha alcazuz" ou "Eu amo alcazuz", mostrando que toda a família pronunciava a palavra de forma errada. O que deixa a amiguinha da Cady muito incomodada, querendo que eles percebam que estão falando errado. Eles não se importam.
Lembro que, quando eu e a Quezia viemos morar juntos, ela falava trabisseiro, e eu, como a amiguinha da Cady, a corrigia: "É travesseiro", até perceber que toda a família dela falava assim e não dava bola. Isso era deles.
Tem coisa de família que só se entende dentro dela. Esses exemplos são apenas palavras erradas, mas isso pode ser um costume, o lugar onde guardam o açúcar, se tiram ou não os tênis ao entrar em casa. Não importa, é um patamar elevado de intimidade que ali faz sentido, sem requerer explicações aos que são de fora.

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